Porque tudo é uma questão de tempo

O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem. 

Uma Questão de Tempo, em cena na sala experimental do Teatro Augusta, a trama tem como fio condutor o tempo.

Escrita por Alberto Guiraldelli, a peça aborda como nós, os seres humanos, em diferentes situações, nos relacionamos com o tempo, ou com a noção que temos dele. 

O tempo é, inquestionavelmente, o ator mais importante das nossas vidas, que, por estar sempre presente, nos mostra todas as suas possíveis facetas – o tempo que não temos ou aquele que não queremos ter; o tempo que passa a correr e aquele que nunca passa; o tempo que nos tomam os outros ou aquele que nós tomamos; o tempo que não volta; o tempo que gostaríamos de recuperar; o tempo que nos faz perder dinheiro ou aquele que nos permite ganhá-lo; o tempo pelo qual impacientemente esperamos e aquele do qual fugimos; o tempo que provoca dor e aquele que possibilita que sintamos o mais profundo dos prazeres; o tempo que vencemos e aquele que estupidamente nos derrota, o tempo...

Querido, odiado, respeitado, inatingível, louco, muito poucas vezes compreendido, o tempo nos controla. Tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac, longínquo e baixinho, inconscientemente, ouvimos o som do ponteiro do relógio. E o tempo não se importa com o nosso tempo. Afinal, o tempo é o único que tem e não tem tempo.


Com direção de Mônica Granndo, o elenco é composto por Christiane Lopes, Renata Mazzei, Lucas de Lucca, Rick Conte e Carlos César. Com caixas de papelão, cadeiras e alguns objetos específicos para construir cada cena, o cenário é bastante simples. As diferentes personagens representadas e um excelente trabalho de iluminação conferem à peça um dinamismo extraordinário, que faz com que a plateia não dê conta do tempo passar.

Na verdade, a plateia não se sente um mero espectador. A pequena área da sala experimental confere uma proximidade entre os atores, plateia, som e luzes. Assim, a plateia se sente muitas vezes parte integrante da cena e convidada a participar.

Fazendo a soma, 80 minutos de duração da peça, 120 minutos de transporte, 30 minutos par estacionar o carro, 10 minutos na fila de espera para comprar o bilhete, 10 minutos para fumar um último cigarro, 2 minutos para ir ao banheiro, 1 minuto para ler uma mensagem e postar no Facebook que estamos no Teatro Augusta, 5 segundos para desligar o celular, 15 minutos de atraso do início da peça. Enfim, arranjem tempo para ir ver a peça Uma Questão de Tempo, porque ir ao teatro nunca é uma perda de tempo!

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